Viajar do Brasil para Oceania sem escalas seria possível? Para o prefeito de Auckland, Wayne Brown, a resposta é sim desde que o governo neozelandês retirasse a necessidade de visto para os chineses, segundo entrevista dele para a Newsroom.
Brown vem discutindo ativamente com políticos chineses em busca de negócios para sua cidade e ouviu do vice-presidente executivo da China Southern Airlines, Qu Guangji, que sua empresa tem interesse em voar Guangzhou-São Paulo via Auckland, desde que a necessidade de visto para chineses fosse removida. No ano passado, ele reuniu-se com membros da Câmara de Comércio Nova Zelândia-Brasil para discutir ligações entre os dois países.
O prefeito vem tentando persuadir o governo neozelandês a eliminar a exigência, porém, recebeu resposta da Ministra da Imigração, Erica Stamford, que a exigência de visto é necessária para proteger a Nova Zelândia de ameaças à segurança nacional. O prefeito de Auckland afirmou que foi a “carta mais idiota que recebeu”.
Preenchendo uma lacuna
O eventual estabelecimento de um voo entre São Paulo e Auckland marcaria o fim de um dos maiores “gaps” da aviação internacional brasileira: a ligação sem escalas entre Brasil e Oceania. Atualmente os voos são possíveis apenas com a LATAM e Qantas via Santiago.
No passado, Aerolíneas Argentinas e Air New Zealand operaram voos entre a Argentina e Oceania. Os passageiros brasileiros são parcela significativa da demanda.

Caso seja um viabilizado, o voo tornaria a China Southern a segunda companhia aérea chinesa a operar no país, junto com a Air China que liga São Paulo, Madri e Pequim duas vezes por semana com o Boeing 787-9.
A capital paulista também seria a segunda cidade da América Latina atendida pela China Southern, depois da Cidade do México. O eventual voo Guangzhou-Auckland-São Paulo seria cerca de 18% maior que um Guangzhou-São Paulo, segundo o Great Circle Map.