A colisão fatal em voo entre um jato regional CRJ-700 da American Eagle e um helicóptero Black Hawk do Exército dos EUA, ocorrida próximo ao Aeroporto Nacional Ronald Reagan Washington em janeiro de 2025, provoca uma disputa entre a Federal Aviation Administration (FAA) e o National Transportation Safety Board (NTSB) sobre a tecnologia de alerta de tráfego no cockpit.
O NTSB recomendou que a FAA torne obrigatório o uso do “ADS-B In” em todas as aeronaves que operam em espaço aéreo onde já há exigência do “ADS-B Out”. O ADS-B In permite que pilotos recebam informações em tempo real sobre aeronaves próximas nos displays do cockpit, recurso que, segundo o NTSB, poderia evitar acidentes semelhantes. O órgão também defende que a mesma exigência se aplique a aeronaves militares em espaço aéreo dos EUA.
Representantes da FAA manifestaram apoio ao aprimoramento da tecnologia nos cockpits, mas apontaram preocupações quanto ao custo de adaptação das frotas existentes e possíveis desafios técnicos. Segundo a agência, a implementação de uma exigência para o ADS-B In provavelmente dependeria de aprovação do Congresso.

Estimativas indicam que equipar uma aeronave com ADS-B In pode custar US$ 50.000 (cerca de R$ 250 mil) ou mais, conforme o modelo e os aviônicos já instalados.
Algumas companhias aéreas dos EUA já começaram a instalar o ADS-B In de forma voluntária. A American Airlines equipou mais de 300 Airbus A321 e trabalha para incluir o sistema em sua frota de Boeing 737. A United Airlines informou que suas novas entregas de fuselagem larga já contam com ADS-B In, e a empresa avalia adaptações para outros modelos.

O acidente de 29 de janeiro de 2025 envolveu um CRJ-700 da PSA Airlines operando como American Eagle voo 5342 e um helicóptero UH-60L Black Hawk do Exército dos EUA sobre o rio Potomac. Todas as 64 pessoas a bordo do jato regional e três militares no helicóptero morreram. O NTSB afirmou que alertas no cockpit fornecidos pelo ADS-B In poderiam ter dado aviso prévio à tripulação antes da colisão.
O Congresso analisa agora propostas legislativas sobre tecnologia de alerta no cockpit. A versão do Senado prevê adaptações mais abrangentes, enquanto o projeto da Câmara oferece maior flexibilidade aos operadores. O NTSB criticou a abordagem da Câmara, alegando que ela não atende integralmente às recomendações do órgão.
Representantes da FAA e do NTSB se reuniram em maio para discutir o tema. O desfecho do debate sobre a obrigatoriedade segue indefinido, enquanto indústria, reguladores e parlamentares avaliam os benefícios para a segurança diante dos custos e impactos operacionais.



